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Brasão de Sodré em Livros de Armas oficiais do séc. XVI

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  LIVRO DO ARMEIRO-MOR, de João do Cró, Passavante Santarém, que o fez de 1506 e 1509.                     LIVRO DA NOBREZA E PERFEIÇÃO DAS ARMAS, do Bacharel António Godinho, que o fez de 1521 e 1528.   Ambos são Armoriais oficiais mandados fazer pela Coroa Portuguesa com os brasões plenos que cabiam ao chefe da cada família nobres e seus descendentes.   Leitura Heráldica: De Azul, com chaveirão de prata, carregado de três estrelas de seis raios de vermelho, acompanhado de três albarradas de prata de duas asas.

Família Sodré

Apelido com origem numa alcunha de significado indeterminado que parece ter surgido em Portugal na segunda metade do séc. XIV. Também dessa época, o seu brasão é idêntico ao usado por indivíduos de um ramo da família inglesa Boteler (de Kirkland), apenas o metal das copas e do chaveirão português é de prata enquanto o inglês é de ouro. A isto junta-se uma tradição, registada em laje tumular de inícios do séc. XVI, que afirma a origem inglesa dos Sodrés. Em começos do séc. XVIII, julgou-se que a alegada raiz inglesa seria a família Sudley ou Sudeley. A documentação dos séc. XIV e XV até hoje publicada não comprova origens inglesas, e o testamento do chefe do ramo dos Sodrés de Santarém, no séc. XV, refere o apelido como sendo uma simples alcunha.  

A fonte da identificação entre Sudley e Sodré

Nenhum documento com data anterior a 1675 foi até hoje encontrado em Portugal que identifique a família Sodré portuguesa com a família Sudley ou Sudeley inglesa. Todavia, sabe-se que a obra de William Dugdale era conhecida em Portugal no séc. XVIII e que foi usada para afirmar que os Sodré derivavam dos Sudley.  Se assim se construiu uma lenda familiar ou se essa era a verdade é algo que divide os investigadores, embora a tendência dominante aponte para a inexistência de provas suficientemente fortes para aceitar que os Sodré fossem Sudley. Isto apesar de haver um casamento entre uma Sudley e um Boteler, e de o brasão dos Sodré ser idêntico ao de um ramo de Boteler, mas parece que não o mesmo que se cruzou com os Sudley, ao contrário daquilo que eu próprio cheguei a aventar há uns anos atrás.              SIR WILLIAM DUGDALE, THE BARONAGE OF ENGLAND, VOL 1, 1675   SUDLEY   At the time of the Conquerors Survey, HAROLD, son to RALPH Earl of Hereford, (who in King EDWARD the C...

Fontes de Soudoyer - Souder

  Définition du Littré : Soudoyer Nature : v. a. Prononciation : sou-do-ié ; plusieurs prononcent sou-doi Etymologie : Solde. Il y avait un substantif très usité, sodoier, qui a donné l'anglais soldier, soldat.   Voir les citations du mot Soudoyer Signification du mot Soudoyer   Avoir, prendre des gens de guerre à sa solde. Par extension, s'assurer à prix d'argent le secours de. Soudoyer des spadassins, des agents.     Merrian – Webster’s Collegiate Dictionary, 11 th Edition (2003) Soldier, noun, Etimology: Middle English Soudeour , from Anglo-French Soudeer, Soudeour mercenary, from Soudee shilling’s worth, wage, from Sou, Soud shilling, from late Latin Solidus Date: 14 th century.     Oxford English Reference Dictionary Soldier, Etimology: Middle English Souder etc. from Old French Soudier, Soldier, from Soulde soldier’s pay.     Webster’s Revised Unabridged Dictionary (1913) Soldier… Old English Souldier, Soudiour, Souder ...Old French Sol...

Reavaliação do Nome e Armas de Sodré

      Por Sérgio Sodré de Castro     Tradicionalmente, há cinco séculos que se consideram os Sodré uma família de origem inglesa cujas armas são: De azul, com chaveirão de prata, carregado de três estrelas de seis raios de vermelho, acompanhado de três albarradas de prata de duas asas. Timbre: uma das albarradas do escudo. Deste modo estão registadas no Livro da Nobreza e Perfeição das Armas, do bacharel António Godinho, feito entre 1521-28. Outro tanto, mas sem o timbre, está debuxado no mais antigo Livro do Armeiro-Mor, de João do Cró, passavante Santarém, feito entre 1506-09. Antes, no brasão da laje tumular de Duarte Sodré, falecido no ano de 1500, foram colocados gomis de uma asa ao invés das albarradas, e por isso talvez fossem aquelas as figuras primevas, que acabaram para sempre substituídas por estas por força da uniformização da estilização imposta pelos armoriais oficiais de Cró e de Godinho. Através de armoriais medievais ingleses comprova-se que um tal William Bote...

Das Armas dos de Pereira

    A génese das armas da família Pereira (de vermelho, uma cruz florida de prata, vazia do campo) é imputada, pela generalidade dos genealogistas dos sécs. XVII e XVIII, à decisão de D. Rodrigo Forjaz de Trastâmara de assumir, como insígnia pessoal, uma cruz inspirada na que alegadamente vislumbrara no céu, aquando da batalha das Navas de Tolosa, em 1212, o que configura uma interpretação anacrónica, porquanto D. Rodrigo, avô do primeiro Pereira, foi coevo do Conde D. Henrique, logo faleceu bem antes desta data. Aliás, o pretenso milagre foi longamente invocado para justificar o conjunto de cruzes floridas presentes nos brasões de diversas linhagens peninsulares… Esta explicação fantasiosa, propalada a partir de Argote de Molina, genealogista andaluz do séc. XVI, foi rebatida por Braamcamp Freire ao alvitrar que, provavelmente, as cruzes floreadas haviam sido adoptadas em atenção às ordens militares de Calatrava ou de Avis, consoante o caso, e denunciavam antigas ligações dos proge...

Ligações familiares de Vasco da Gama pelo lado materno

    Ao estudar as ligações familiares do grande navegador Vasco da Gama pelo lado materno é obviamente imperioso começar por determinar quem foi a sua mãe e afinal ele próprio. Embora assim pareça, à partida, a questão não é absolutamente absurda, porque é um facto comprovado que, ainda solteiro, seu pai teve um primeiro filho bastardo, anterior ao casamento com Isabel Sodré , a quem deu o mesmo nome e do qual nada transpirou para a História excepto ter existido e na juventude ter tomado a primeira tonsura no mesmo dia que seus meios-irmãos, conforme mais à frente pormenorizarei. O problema está resolvido nos escritos dos grandes cronistas coevos no sentido do 2º Vice-Rei da Índia pertencer à família Sodré pelo lado materno. Efectivamente, João de Barros e Diogo do Couto afirmam que Vicente Sodré era tio de Vasco da Gama e irmão de sua mãe; Damião de Góis dá Vicente Sodré como tio de Vasco da Gama; Fernão Lopes de Castanheda e Gaspar Correia escrevem que Vicente Sodré era seu paren...