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A mostrar mensagens de dezembro, 2009

Das Armas dos de Pereira

    A génese das armas da família Pereira (de vermelho, uma cruz florida de prata, vazia do campo) é imputada, pela generalidade dos genealogistas dos sécs. XVII e XVIII, à decisão de D. Rodrigo Forjaz de Trastâmara de assumir, como insígnia pessoal, uma cruz inspirada na que alegadamente vislumbrara no céu, aquando da batalha das Navas de Tolosa, em 1212, o que configura uma interpretação anacrónica, porquanto D. Rodrigo, avô do primeiro Pereira, foi coevo do Conde D. Henrique, logo faleceu bem antes desta data. Aliás, o pretenso milagre foi longamente invocado para justificar o conjunto de cruzes floridas presentes nos brasões de diversas linhagens peninsulares… Esta explicação fantasiosa, propalada a partir de Argote de Molina, genealogista andaluz do séc. XVI, foi rebatida por Braamcamp Freire ao alvitrar que, provavelmente, as cruzes floreadas haviam sido adoptadas em atenção às ordens militares de Calatrava ou de Avis, consoante o caso, e denunciavam antigas ligações dos proge...

Ligações familiares de Vasco da Gama pelo lado materno

    Ao estudar as ligações familiares do grande navegador Vasco da Gama pelo lado materno é obviamente imperioso começar por determinar quem foi a sua mãe e afinal ele próprio. Embora assim pareça, à partida, a questão não é absolutamente absurda, porque é um facto comprovado que, ainda solteiro, seu pai teve um primeiro filho bastardo, anterior ao casamento com Isabel Sodré , a quem deu o mesmo nome e do qual nada transpirou para a História excepto ter existido e na juventude ter tomado a primeira tonsura no mesmo dia que seus meios-irmãos, conforme mais à frente pormenorizarei. O problema está resolvido nos escritos dos grandes cronistas coevos no sentido do 2º Vice-Rei da Índia pertencer à família Sodré pelo lado materno. Efectivamente, João de Barros e Diogo do Couto afirmam que Vicente Sodré era tio de Vasco da Gama e irmão de sua mãe; Damião de Góis dá Vicente Sodré como tio de Vasco da Gama; Fernão Lopes de Castanheda e Gaspar Correia escrevem que Vicente Sodré era seu paren...

Instituição e Confirmação do Morgado de Águas Belas

Este Rodrigo Álvares Pereira, 1º Senhor de Águas Belas, era irmão do Santo Condestável. A partir do casamento de Violante Pereira com Francisco Sodré, em finais do séc XV ou inícios do XVI, começou um processo que levaria a que os Sodré Pereira se tornassem Senhores de Águas Belas, acumulando com o morgado dos Sodré de Santarém na região do Alviela .       Dom Pedro pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve. A quantos esta carta virem faço saber que Álvaro Fernandes escudeiro meu vassalo tutor de Rodrigo Álvares e de Pedro Álvares e de Diego Alvares criados do prior do Hospital me disse que ele e Gomes Martins do monte outrossim meu vassalo e João Afonso natural de Sevilha fizeram doações de parte de seus bens aos sobreditos cujo tutor ele é como se contém em escrituras públicas de tabeliães que tais são. Em nome de Deus amém saibam quantos esta carta de doação e de ordenação e de morgado virem que eu Álvaro Fernandes escudeiro vassalo do infante D. Pedro dou e outorgo por jur...

As Cartas de Armas de Bento e Francisco Sodré Pereira

  Nos primórdios do século XIX foram concedidas cartas régias de brasão de armas de nobreza e fidalguia a dois membros, pai e filho, de um ramo segundo da família dos Sodré Pereira, Senhores de Águas Belas (Ferreira do Zêzere), radicado no Rio de Janeiro desde a primeira metade do século XVII. Entretanto, o pai havia passado aos Açores e o filho já nascera em Ponta Delgada.    Bento Sodré Pereira   Dom João por Graça de Deus Príncipe Regente de Portugal e dos Algarves, daquém e dalém mar em África, Senhor da Guiné, e da Conquista e Navegação do Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia, e da Índia, etc. Faço saber aos que esta minha carta de brasão de armas de nobreza e fidalguia virem que Bento Sodré Pereira, natural do Rio de Janeiro, Sargento-mor reformado das ordenanças da cidade de Ponta Delgada da ilha de São Miguel, me fez petição, dizendo que pela sentença de justificação de sua nobreza a ela junta, proferida e assinada pelo meu Desembargador, Corregedor do Cível da Corte e Casa...

Testamento de Duarte Sodré, 29 de Fevereiro de 1496

  (Testamento feito em Montemor-o-Novo no último dia de Fevereiro de 1496, uma 2ª feira dia 29, redigido por Rui de Pina, talvez o que veio a ser cronista a guarda-mor da Torre do Tombo). (Este texto é o do traslado que se fez em Santarém, a 14 de Setembro de 1524, a pedido da Abadessa do Mosteiro de Santa Clara) (ADSTR, Convento de Santa Clara de Santarém, é esta referência do testamento no artigo “Ensaio sobre a origem dos Resende/Sodré” da revista Armas e Troféus de 2008)) (Eu tenho fotocópia do mesmo testamento existente no Livro das Escrituras e Partilhas, Testamentos, etc. 1465-1573, guardado no Arquivo Distrital de Santarém)   Trelado da Cedolla de Duarte Sodre Porque a mais certa cousa que temos he morer e a menos certa a ora da morte portanto eu Duarte Sodre veador da casa d’el Rei Dom Manuel o primeiro noso senhor e alcaide moor das vyllas de Tomar e Sea estamdo em meu verdadeyro siso e proprio emtemdymento por descarguo de mynha comciemcia e por certidam de mynha faze...

Duarte Sodré, Alcaide-mor de Tomar, falecido a 25 de Agosto de 1500

  Foi um dos mais importantes freires cavaleiros da Ordem de Cristo da segunda metade do século XV. É bem possível que tenha nascido durante o reinado de El-Rei D. Duarte, entre 1433 e 1438, o que justificaria o nome próprio que lhe deram de Duarte. Muito provavelmente, era natural de Santarém, pois os seus pais aí viviam numa casa ao pé da calçada do Gaião, que Duarte herdou. Sabe-se que era uma casa grande com um quintal de árvores e laranjeiras. Sua mãe foi Inês Sodré, talvez nascida por volta de 1414. O seu apelido de Sodré e respetivo brasão veio-lhe pelo avô materno, que uma fonte fidedigna, mas posterior, diz ser João Sodré e refere-o como Fidalgo  da Casa de D. Afonso V. Este João é provavelmente o mesmo que Zurara apresenta como Cavaleiro em Ceuta antes de 1418, pelo que deve ter participado na sua conquista em 1415.  . Duarte não seria o primogénito mas sim um filho segundo. Seu pai, Gil Pires de Resende, exerceu diversos cargos ao serviço da Coroa, nomeadamente Contad...