Das Armas dos de Pereira
A génese das armas da família Pereira (de vermelho, uma cruz florida de prata, vazia do campo) é imputada, pela generalidade dos genealogistas dos sécs. XVII e XVIII, à decisão de D. Rodrigo Forjaz de Trastâmara de assumir, como insígnia pessoal, uma cruz inspirada na que alegadamente vislumbrara no céu, aquando da batalha das Navas de Tolosa, em 1212, o que configura uma interpretação anacrónica, porquanto D. Rodrigo, avô do primeiro Pereira, foi coevo do Conde D. Henrique, logo faleceu bem antes desta data. Aliás, o pretenso milagre foi longamente invocado para justificar o conjunto de cruzes floridas presentes nos brasões de diversas linhagens peninsulares… Esta explicação fantasiosa, propalada a partir de Argote de Molina, genealogista andaluz do séc. XVI, foi rebatida por Braamcamp Freire ao alvitrar que, provavelmente, as cruzes floreadas haviam sido adoptadas em atenção às ordens militares de Calatrava ou de Avis, consoante o caso, e denunciavam antigas ligações dos proge...